6.10.11

Pablo Neruda - Poema XIV


Juegas todos los días con la luz del universo.
Sutil visitadora, llegas en la flor y en el agua.
Eres más que esta blanca cabecita que aprieto
como un racimo entre mis manos cada día.

A nadie te pareces desde que yo te amo.
Déjame tenderte entre guirnaldas amarillas.
Quién escribe tu nombre con letras de humo entre las estrellas del sur?
Ah déjame recordarte cómo eras entonces, cuando aún no existías.

De pronto el viento aúlla y golpea mi ventana cerrada.
El cielo es una red cuajada de peces sombríos.
Aquí vienen a dar todos los vientos, todos.
Se desviste la lluvia.

Pasan huyendo los pájaros.
El viento. El viento.
Yo sólo puedo luchar contra la fuerza de los hombres.
El temporal arremolina hojas oscuras
y suelta todas las barcas que anoche amarraron al cielo.

Tú estás aquí. Ah tú no huyes.
Tú me responderás hasta el último grito.
Ovíllate a mi lado como si tuvieras miedo.
Sin embargo alguna vez corrió una sombra extraña por tus ojos.

Ahora, ahora también, pequeña, me traes madreselvas,
y tienes hasta los senos perfumados.
Mientras el viento triste galopa matando mariposas
yo te amo, y mi alegría muerde tu boca de ciruela.

Cuanto te habrá dolido acostumbrarte a mí,
a mi alma sola y salvaje, a mi nombre que todos ahuyentan.
Hemos visto arder tantas veces el lucero besándonos los ojos
y sobre nuestras cabezas destorcerse los crepúsculos en abanicos girantes.

Mis palabras llovieron sobre ti acariciándote.
Amé desde hace tiempo tu cuerpo de nácar soleado.
Hasta te creo dueña del universo.
Te traeré de las montañas flores alegres, copihues,
avellanas oscuras, y cestas silvestres de besos.

Quiero hacer contigo
lo que la primavera hace con los cerezos.

2.10.11

Amor. Não se pode dar porque não se pode possuir. Não nasce, não aumenta ou diminui. Existe apenas. Amor é. És.

24.9.11

and my heart was ripped from my chest but it's ok, I know it's in your hands, safe. I just don't know where you are...

17.9.11

Sleep

Thinking... wondering where you are.Dreaming day and night about you. Worrying... crying in the dark, in silence...
A simple word, just a word would make the sun shine bright in the sky and bring a smile back to my lips... one that only you can give life! And I miss you... your gentle voice, the singing of sirens luring me to my sweet damnation... no, the singing of an angel taking me to heaven!
You'll be back, soon... and we'll continue our story, live it like it should be lived. With our hands held tight... and a smile on our lips.
I'll try to sleep now, hoping that tomorrow you're here, in my arms again.

9.9.11

O Tempo Passa? Não Passa

O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer toda a hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.


Carlos Drummond de Andrade, in 'Amar se Aprende Amando'

31.8.11

...

mais um dia na cidade
e ainda não sei nada de ti
ainda não vi o teu milagre
sobre mim
eu nem ouso sentir esperança
estou tão longe do que é bom
não te tenho nesta dança
neste tom
mas se te vejo, ...
se te vejo, ...
eu quero ir, eu quero ir, eu quero ir, eu quero ir
atrás de ti

eu quero ver-te no meu espelho
intimidar-te com o olhar
e confessar-te que foste eleita
para eu me dar
vá vem dormir para os meus braços
que eu vou mostrar-te o que é o amor
se eu não vencer
quem vence a prova do teu rigor
e se te vejo, ...
se te vejo, ...
eu quero ir, eu quero ir, eu quero ir, eu quero ir
atrás de ti
mais um dia na cidade
e ainda não sei nada de ti
mas é tão bom ter o teu nome aqui
aqui, aqui, aqui
eu estou aqui.

(letra da música Adriana de Jorge Cruz, aqui sem a Adriana)

28.8.11

O Amor Fino

O amor fino não busca causa nem fruto. Se amo, porque me amam, tem o amor causa; se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há-de ter porquê nem para quê. Se amo, porque me amam, é obrigação, faço o que devo: se amo, para que me amem, é negociação, busco o que desejo. Pois como há-de amar o amor para ser fino? Amo, quia amo; amo, ut amem: amo, porque amo, e amo para amar. Quem ama porque o amam é agradecido. quem ama, para que o amem, é interesseiro: quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino.

Padre António Vieira, in "Sermões"