27.8.11

What It Feels Like To Be In Love With You

It feels like drowning. It feels eternal. A sensory bliss that never really subsides. A yearning to be awake, to live that dream I am in. In shallows of blankets and bed covers, calmed by the gentle breeze of your breath. Caressed by the warmth of your skin. It feels like a distant voice, heard in the chambers of my head, of laughter and sighs. Of whirlwinds in my head. A ray of hope, a sliver of sunshine. It feels like it all makes sense right about now, on the path to the never never land. It's art, it's poetry and most of all it feels like it's true. So much that I can touch it enough to my hands through its contours, feel it as it burns into my flesh and taste it, in dollops, as it spills onto my senses. To be in love with you, I feel stronger. I shed fear, adorn hope. I walk a path that's painted with grief, painted in failure, painted in hope, I walk with glee. I feel stronger than a man can ever feel but I feel powerless. Vulnerable to your voice, to your words, to the depths of your mind. It feels like a placebo, when the earth is burning and the sky is raining on my head. It feels like my head's spinning and my body's out of place. A terrible comfort that makes me guilty for deriving pleasure from. A horrible silence just before it's deafened by your cheer, your pain, your world. Our world. It feels like looking into the future. It feels like I'm drowning in my sleep, drowning deep in a dream where I'm floating in your heart. To be in love with you, is to never wake up to anyone else again. To be in love with you. It feels eternal. It feels pure. It feels love.

(unknown)

24.8.11

O Apaixonado

Luas, marfins, instrumentos e rosas,
Traços de Dúrer, lampiões austeros,
Nove algarismos e o cambiante zero,
Devo fingir que existem essas coisas.
Fingir que no passado aconteceram
Persépolis e Roma e que uma areia
Subtil mediu a sorte dessa ameia
Que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
Da epopeia e os pesados mares
Que corroem da terra os vãos pilares.
Devo fingir que há outros. É mentira.
Só tu existes. Minha desventura,
Minha ventura, inesgotável, pura.

Jorge Luis Borges, in "História da Noite"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

13.8.11

love > distance

7.8.11

Agora e Sempre

Penso sempre no agora e no depois
porque agora estás aqui no peito
e depois também nos meus braços

agora, és um doce suspiro e um saboroso sorriso
depois, também o reflexo nos meus olhos

agora, és um desejo ardente
e depois, também o calor do meu corpo

agora, és palavra escrita e silêncio
depois, também som que me embala

agora, és saudade a cada segundo
depois, serás presença constante

agora, és a mulher que amo
e depois, és a mulher que amo.

Chega de saudade


Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai

Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca

Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim

Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim

24.7.11

Tu e Eu Meu Amor

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua a mão que segura
outra mão que lhe é dada
nua a suave ternura
na face apaixonada
nua a estrela mais pura
nos olhos da amada
nua a ânsia insegura
de uma boca beijada.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nu o riso e o prazer
como é nua a sentida
lágrima de não ver
na face dolorida
nu o corpo do ser
na hora prometida
meu amor que ao nascer
nus viemos à vida.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Nua nua a verdade
tão forte no criar
adulta humanidade
nu o querer e o lutar
dia a dia pelo que há-de
os homens libertar
amor que a eternidade
é ser livre e amar.

Tu e eu meu amor
meu amor eu e tu
que o amor meu amor
é o nu contra o nu.

Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"

4.7.11

Leisure, W. H. Davies

What is this life if, full of care,
We have no time to stand and stare?

No time to stand beneath the boughs,
And stare as long as sheep and cows:

No time to see, when woods we pass,
Where squirrels hide their nuts in grass:

No time to see, in broad daylight,
Streams full of stars, like skies at night:

No time to turn at Beauty's glance,
And watch her feet, how they can dance:

No time to wait till her mouth can
Enrich that smile her eyes began?

A poor life this if, full of care,
We have no time to stand and stare.